Crítica - Madagascar 3


A franquia “Madagascar” é uma das propriedades mais valiosas daDreamworks Animations atualmente, não por conta do quarteto principal, mas por conta de seus coadjuvantes. O sucesso dos personagens secundários é tanto, que os pinguins e a corte do Rei Julian ganharam uma animação semanal na televisão, na qual Alex, Marty, Melman e Glória não são sequer citados.
Após conferir “Madagascar 3 – Os Procurados”, restou a impressão de que ficar em casa e assistir uns três episódios seguidos das aventuras das aves de smoking seria melhor que ir ao cinema e acompanhar esta nova aventura cinematográfica.
O novo longa, dirigido a seis mãos por Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon, não só ignora todo a evolução dos protagonistas nos capítulos passados, mas faz isso para contar uma história sem graça e que aleija as tramas anteriores. O mais chocante disso tudo é que o roteiro foi escrito por Darnell, co-criador de “Madagascar”, e Noah Baumbach, colaborador frequente de Wes Anderson e escritor de filmes como “A Vida Marinha com Steve Zissou”“O Fantástico Sr. Raposo” e “A Lula e a Baleia”.
Aqui, os animais desistem de suas vidas mansas junto às suas origens africanas e vão à Monte Carlo encontrar os Pinguins para voltarem ao zoológico de Nova York. Obviamente, dá tudo errado e a bicharada acaba tendo de fugir da insana Capitã DuBois, agente do controle de animais obcecada em colocar a cabeça de Alex na sua parede. Para escaparem, se juntam a um circo decadente e, para conseguirem chegar aos EUA, precisam fazer com que o lugar seja novamente um sucesso.
O quarteto principal entra novamente em cena basicamente para fazer novas versões de situações embaraçosas anteriormente exploradas, mandando para longe todo o crescimento que haviam experimentado até aquele ponto. Alex, por exemplo, volta a tentar encontrar seu lugar no mundo e encara um novo macho alfa com quem concorre acidentalmente. Marty tem outra briga com seu amigo leão, Melman novamente tem de lidar com suas inseguranças com Glória o ajudando a superar seus medos.
Em alguns momentos, a impressão que fica é que a única coisa que mudou do segundo capítulo para este foi o cenário e a péssima qualidade das piadas. Até mesmo a estrutura da história é repetida, com pouquíssimas alterações, com os animais chegando, conquistando novos amigos, fazendo besteira e se redimindo depois.
O circo também não nos apresenta figuras lá muito interessantes. O tigre Vitaly que perdeu sua força de vontade, a tigresa Gia, que aparentemente precisa de um homem para ajudá-la a encontrar seu rumo, e um leão marinho com um coração maior que sua inteligência. Esse excesso de personagens em raras ocasiões se converte em boas interações entre eles, com o filme dependendo quase que exclusivamente dos pinguins e dos lêmures, em momentos completamente isolados, para fazer rir.
A vilã DuBois merece um destaque negativo. Chata e tendo com sua postura à la T-1000 ao perseguir Alex incessantemente como sua única característica, a personagem ainda consegue insultar um ícone francês ao fazer uma péssima e completamente desnecessária interpretação de “Non, Je Regrette Rien”, música de Edith Piaf, para motivar seus companheiros franceses. Jamais sabemos por que diabos ela quer tanto a cabeça do leão para sua coleção nem sua motivação para odiar tanto animais a ponto de se tornar uma psicopata. Enfim, uma antagonista fraquíssima que só serve para encher linguiça.
Por falar em música, “Firework”, da cantora pop Katy Perry, embala os números melhorados de circo, em sequências que funcionam muito bem visualmente, com as apresentações remetendo ao Cirque du Soleil.  O problema desta produção não está no seu visual, longe disso. O trabalho da equipe de animadores é soberbo e o 3D do filme é, de fato, fantástico. A tragédia aqui é que esse esforço acaba morrendo em um filme quase que sem alma.