Crítica - Os Mercenários 2



Quando tiveram a ideia de juntar todos os brucutus do cinema – incluindo os grandes nomes do auge desses caras, no anos 80 – e botar tudo na mão do Sylvester Stallone(Sly), parecia ser uma algo genial. Só que qando o primeiro Os Mercenários estreou não foi, exatamente, o que todo mundo esperava. Ficou no ar a sensação de que poderia ter sido muito melhor. Dois anos depois, Os Mercenários 2 estreia nos cinemas brasileiros neste fim de semana e, ao ver o novo filme, podemos dizer: agora SIM!
Pra começar, Stallone saiu da direção. Não que Sly seja um péssimo diretor para esse tipo de filme ou que não saiba atuar e dirigir ao mesmo tempo, mas Os Mercenários 2 cresceu MUITO tendo Stallone apenas como protagonista e co-roteirista. O diretor Simon West adicionou novos e interessantes elementos, além de ter uma direção mais interessante. Outro fato positivo é que Barney Ross, o personagem do Sly, deixou de ter TODA a atenção – o que fez com que os outros caras crescessem dentro da história.
Não é só isso. O melhor elemento introduzido (quer dizer, amplificado) por West foi o humor. Afinal, não é legal ver APENAS o Sly lutando ao lado de Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Terry Crews, Randy Couture e o novato Liam Hemsworth. É legal também ver as tiradas entre esses caras e as piadas envolvendo não só este filme, mas personagens antológicos que alguns desses atores fizeram. Isso fica ainda melhor com atuações maiores de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger – eles entram na porrada dessa vez e até fazem piadinhas, incluindo sobre O Exterminador do Futuro.
Essa pegada mais leve em relação ao anterior também fica clara no personagem interpretado por Dolph Lundgren, o eterno He-Man. Se no primeiro longa o Gunner era um maluco drogado, neste ele é um divertido (e limpo) mercenário, com tiradas divertidas e violentas. Descobrimos, entre outras coisas, que o cara foi um fodão do mundo científico antes de virar um leão de chácara numa balada. Tudo culpa de uma mulher…
O roteiro não é dos mais elaborados, sendo mais simples e mais clichê que o primeiro. O vilão, interpretado pelo Jean-Claude Van Damme, se chama Jean VILAIN. E ele é mal, mal pra cacete, o que é ótimo pro filme. O braço direito do cara é Hector, interpretado por Scott Adkins. Além do vilão Vilain, Os Mercenários 2 ainda apresenta uma história que envolve reservas de plutônio soviéticas. Isso que é voltar aos anos 80!
Agora, a melhor parte MESMO é quando Chuck Norris aparece em cena. Meio que encarnando todo o mito das interwebs, ele chuta bundas, mata todo mundo… E faz piadinhas. É uma passagem curta, mas interessante. SÓ que a trilha dessa aparição é aquela feita por Ennio Morricone paraTrês Homens em Conflito. Pô, se é pra usar essa música, que chamem logo o PRÓPRIO Blondie, o Clint Eastwood. Aliás, bem que poderiam chamá-lo para o terceiro filme da franquia SÓ pra mandar um “Go ahead, make my day”. Dirty Harry 4 ever.
Bom, se formos entrar nos atores que “fazem falta”, a lista seria enorme… Sem contar que nela entraria o próprio Jet Li, que pouco aparece na nova produção. Nem falo do Liam Neeson nesse filme, afinal o que Sly e amigos demoram quase duas horas para matar ele acabaria em 30 segundos. O filme ia virar um curta-metragem.
Claro, Os Mercenários 2 tem diversos problemas, atuações rasas, roteiro previsível, luta final sem ser tão interessante, entre outras coisas, mas, no final, o que importa é que ESTE é um filme divertido. Bem mais que o primeiro.
"I'M BACK!"
As únicas ressalvas é que com a pitada de humor veio um pouco menos de sangue e que as legendas em português, infelizmente, não estão bem feitas, além de perderem algumas sacadas dos diálogos.
É, nem tudo é perfeito.
Texto: Renan Martins Frade do site Judão