BEIJO GAY EM NOVELA DO SBT

Jornalista da "Folha" diz que beijo no SBT foi tapa na cara de Globo e Record

Somente uma versão do vídeo da cena do beijo gay tem mais de 250 mil acessos desde quinta-feira à noite e já é um dos vídeos mais vistos do Youtube no Brasil

Às 22h59 da última quinta, o SBT deu um tapa de luva militar na católica Globo e na evangélica Record ao colocar no ar um capítulo da história da teledramaturgia no país.

O dono do baú da felicidade promoveu a alegria do tão esperado primeiro beijo gay em uma novela brasileira.

Houve boatos de que, em 1963, no teleteatro chamado "Calúnia", teria acontecido o que seria o beijo lésbico entre as atrizes Geórgia Gomide e Vida Alves, mas não existe registro da cena.

São as cenas gravadas por Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre), personagens da novela "Amor e Revolução", de Tiago Santiago, que mostram a primeira manifestação de afeto íntimo homossexual da televisão do Brasil.

O beijo entre elas foi quente, sexy, com pegada. Cenas insinuantes de pernas se esfregando deram um tom mais ousado à cena. Marcela, mais resolvida com a sua bissexualidade, sabe bem o que quer. Para Marina, tudo isso é uma grande novidade.

Depois do beijo, elas questionam o papel da mulher e da liberdade e independência que o sexo feminino pode conquistar em relação aos homens. A cena sozinha é uma síntese do título da trama. Há amor e revolução.

E tudo isso num dia em que houve um bate-boca entre a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) e o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que perturbou a entrevista da senadora Marta Suplicy (PT-SP) mostrando seus panfletos antigay no Congresso.

E quando, em Uganda, está quase aprovada a lei que prevê pena de morte aos homossexuais, a ficção revolucionou e poetizou a realidade com um belo e longo beijo.

Que venham mais.

NA TV
Amor e Revolução
Novela do SBT
QUANDO de seg. a sex., às 22h15
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

Por Vitor Angelo (jornalista da Folha de São Paulo)